quarta-feira, 17 de junho de 2020

Jovens que estavam com João Pedro dizem que não viram bandidos antes de o menino ser baleado e que policiais jogaram granadas




A casa onde os garotos brincavam, no Complexo do Salgueiro, foi invadida por policiais que deram mais de setenta tiros no imóvel. Em depoimento dado ao Ministério Público, todos os cinco jovens que estavam na casa com João Pedro disseram que viram policiais derrubando o portão e entrando no imóvel, antes de ordenar que todos se deitassem no chão.

Todos os jovens afirmaram que não viram nenhum bandido. Eles dizem que João Pedro pode ter sido baleado no momento em que os policiais jogaram duas granadas.



João Pedro Mattos Pinto, morto em operação em São Gonçalo — Foto: Reprodução/TV Globo

Um menor disse que os agentes perguntavam a todo o momento onde estava a droga, o que eles estavam fazendo ali e se eles já tinham passagem pela polícia. "A todo momento os policiais ficavam perguntando onde estava a droga e o que estavam fazendo ali; que também perguntaram se o declarante e os demais 'já tinham passagem', diz um trecho da transcrição do depoimento.

Outro adolescente disse ao Ministério Público que os policiais diziam que tinham pessoas na parte de trás da casa. Afirmou também que ele foi mostrar aos policiais e que neste momento, viu os agentes mudando uma escada de lugar.

Outro menor afirmou ouviu os primeiros tiros de um helicóptero quando estavam na área de lazer e que correram pra dentro da casa e ficaram inicialmente no quarto.

No depoimento, o menor afirma que os tiros continuaram e quando acabaram, foram todos para a sala. Também disse que quando a polícia entrou na casa estava silêncio.

Dois menores falam de granada

No depoimento um dos jovens afirma que não ouviu disparos fora da casa nem qualquer outra pessoa pulando o muro ou correndo no terreno.

Um dos jovens disse ao MP que os policiais lançaram duas granadas: uma no corredor e outra na frente da casa. Logo depois, ele contou que cada um correu para um quarto - ele acredita que neste momento João foi baleado.

Um outro menor afirmou em depoimento ao MP que os policiais jogaram uma granada no quarto onde ele estava e ele, então, correu para o banheiro.

O adolescente diz que também acredita que João Pedro tenha sido atingido neste momento em que estavam na sala e foram correr para os quartos.

Um dos adolescentes disse que João Pedro estava na copa com o rosto no chão e que todos deitaram.

Ninguém, segundo o jovem, sabia que ele estava baleado e que num momento, um policial se aproximou dele, o segurou pelo braço e o virou. Só então, segundo o depoimento, viram a mancha de sangue e que ele estava baleado.

Um outro adolescente contou que não viu nenhuma pessoa diferente das que estavam com roupa preta ou camuflada dentro da casa e que a última vez que percebeu que joão estava vivo fou quando ele levantou a mão e pediu ajuda.

Reprodução simulada adiada

A Polícia Civil adiou a reprodução simulada da operação das polícias Civil e Federal que terminou com a morte do adolescente João Pedro. A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí tinha marcado a diligência do caso para o último dia 9.

A decisão foi tomada após a decisão do Supremo Tribunal Federal que proíbe operações policiais no Estado enquanto durar a pandemia do novo coronavírus.

Mesmo após o resultado da perícia do projétil que atingiu o menino João Pedro ser inconclusivo, investigadores afirmaram que ainda é possível identificar o autor dos disparos.

De acordo com o laudo, não dá para afirmar se o tiro partiu de um dos quatro fuzis apreendidos com os policias da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE).

O documento aponta que João Pedro foi atingido por um fragmento da munição. Os peritos acreditam que a bala bateu em uma parede antes de perfurar as costas do menino.

Sem comentários:

Publicar um comentário