domingo, 8 de setembro de 2019

"Vingadores, a Cruzada das Crianças": conheça a HQ que Crivella tentou proibir na Bienal

  • REDAÇÃO GALILEU
 ATUALIZADO EM 
Página de "Vingadores, a cruzada das crianças" que causou polêmica (Foto: Reprodução)
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, pediu que a Bienal do Livro da cidade recolhesse um livro à venda no evento: Vingadores, a Cruzada das Crianças, da Marvel. Em um vídeo no Twitter, o prefeito disse que a obra traz "conteúdo sexual para menores" e "livros assim precisam estar em um plástico preto, lacrado, avisando o conteúdo". Mas afinal, qual era o conteúdo dessa HQ?
O livro não é tão novo assim: foi lançado em 2012 nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em 2016, pela Editorial Salvat em parceria com a Panini Comics. A edição é escrita pelo norte-americano Allan Heinberg e ilustrada pelo britânico Jim Cheung.
A publicação conta a história de jovens super-heróis que surgem depois que a Feiticeira Escarlate enlouquece e perde o controle de seus poderes, fazendo com que ondas de inimigos ataquem os Vingadores. Com isso, os heróis Gavião Arqueiro, Visão e Scott Lang acabam morrendo.
Isso abre caminho para o aparecimento de adolescentes com poderes (que se tornam os Jovens Vingadores) e agora irão ajudar a combater o crime. Entre os novos heróis estão Wiccano e Hulking, o casal centro da polêmica da proibição do livro.
Representação de Wiccano (Foto: Divulgação)
Wiccano, filho da Feiticeira Escarlate, é um jovem com poderes quase ilimitados, e Hulkling, tem a capacidade de mudar de aparência para parecer com outras criaturas — sua forma preferida é a do Hulk. Mesmo sendo um casal assumido, o primeiro beijo dos dois aconteceu justamente em A Cruzada das Crianças.
Além do casal, temos os jovens Célere (irmão de Wiccano), Rapaz de Ferro, Visão (ressucitado pelo Rapaz de Ferro), Patriota, Gaviã Arqueira e Estatura.
Apesar de os personagens terem uniformes e poderes inspirados nos Vingadores originais, eles se destacam pelas personalidades diferentes, com muitos problemas de adolescentes e de relacionamento. Ou seja, existe o objetivo da Marvel de criar personagens mais diversos e inclusivos. 
Representação do herói Hulkling (Foto: Divulgação)
Mas nem mesmo a censura de Crivella fez com que o livro fosse barrado e, inclusive, chegou a esgotar seus estoques no evento. Segundo O Globo, a Bienal diz que "dá voz a todos os públicos, sem distinção, como uma democracia deve ser. Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá três painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+. A direção do festival entende que, caso um visitante adquira uma obra que não o agrade, ele tem todo o direito de solicitar a troca do produto, como prevê o Código de Defesa do Consumidor."
“Ficamos orgulhosos com a posição da organização da Bienal do Rio em defesa da liberdade de expressão e da diversidade. Ela mostra com dignidade a vocação e vontade dos editores. Posturas como a do prefeito Marcelo Crivella e do governador João Doria – que recentemente mandou recolher uma apostila escolar que falava sobre diversidade sexual – tentam colocar a sociedade brasileira em tempos medievais, quando as pessoas não tinham a liberdade de expressar suas identidades", afirmou em nota Luiz Schwarcz, CEO e fundador da editora Companhia das Letras. "Eles desprezam valores fundamentais da sociedade e tentam impedir o acesso à informação séria, que habilita os jovens a entrar na fase adulta mais preparados para uma vida feliz."

Sem comentários:

Enviar um comentário