THIAGO BERNARDES / FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Lula saiu a pé do Sindicato dos Metalúrgicos por volta das 18h45min até uma viatura da PF
Dois dias após a determinação de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  pelo juiz Sergio Moro, o petista se entregou à Polícia Federal. Lula foi condenado a 12 anos e um mês de reclusão por conta das investigações da Lava-Jato. Após ser impedido por apoiadores de deixar o prédio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), o ex-presidente saiu a pé por volta das 18h45min até às viaturas da PF, que aguardavam do lado de fora. Acompanhado de um comboio da polícia, ele se dirige para a Superintendência da PF em São Paulo, onde realizará exame de corpo de delito. Em seguida, Lula pegará um voo para Curitiba (PR).
No aeroporto, repórteres e militantes aguardam a chegada do ex-presidente.  Contudo, jornalistas estavam sendo hostilizados em frente ao portão pelo qual Lula deve entrar.
A prisão ocorre no dia em que a ex-primeira-dama Marisa Letícia completaria 68 anos. Lula se entrega após quase dois dias de negociação intensa com a PF, que, segundo informações do jornal O Estado de S.Paulo, acatou o pedido para que ele presenciasse a cerimônia em homenagem a sua mulher.

Pedido de prisão 

A determinação da prisão de Lula foi expedida na tarde de quinta-feira (5).  A medida ocorreu logo após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) encaminhar à Justiça Federal do Paraná o ofício autorizando a execução provisória da pena do ex-presidente.  No despacho,  Moro pediu ao petista que se apresentasse à PF até as 17h desta sexta-feira (6), o que não ocorreu. O magistrado vetou a utilização de algemas "em qualquer hipótese".
A assessoria da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, na qual despacha Moro, esclareceu que Lula "não descumpriu ordem judicial" ao não se entregar no horário indicado no despacho.  O período concedido pelo juiz federal era um "prazo de oportunidade", em virtude do cargo ocupado pelo petista.
Antes, a defesa do ex-presidente havia entrado com pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), porém o ministro Felix Fischer negou. No início da noite,  em mais uma tentativa para evitar a prisão do ex-presidente, a defesa do petista ingressou com uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF). O relator do caso será o ministro Edson Fachin – que já rejeitou dois habeas corpus impetrados pelos advogados. Não há previsão de quando o ministro vai analisar o caso.