terça-feira, 26 de setembro de 2017

Pivô da guerra na Rocinha, Rogério 157 pode estar escondido no Complexo do Alemão



Rogério já teria sido aceito pela maior facção criminosa do Rio Foto: Reprodução
Ana Carolina Torres

Relatos de moradores do Complexo do Alemão informam que Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, estaria escondido naquela comunidade da Zona Norte do Rio. Ele teria sido visto no local no domingo, junto com outros bandidos que o acompanham.

— O Rogério 157 chegou à (favela) Nova Brasília (que integra o Alemão) no domingo — relatou um morador ao EXTRA.

Policiais militares que atuam na Rocinha, também ouvidos pelo EXTRA, informaram que Rogério 157 deixou a favela, em São Conrado, na Zona Sul da cidade, pela região de mata. Mas cúmplices dele permaneceriam na comunidade, ainda escondidos na mata.

— Hoje (terça-feira) passou muita quentinha lá para o matagal. É para o pessoal dele — disse um morador da Rocinha.

De acordo com os PMs, a possibilidade de Rogério 157 estar no Alemão é grande.

— As informações batem: tem muitos comentários de moradores do Alemão de que ele já foi visto por lá. Assim como sabemos que ele saiu pela mata da Rocinha, deixando parte de seu bando lá — contou um agente da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Rocinha.
Movimentação suspeita

Desde domingo, moradores do Alemão têm visto uma movimentação de bandidos de fora da favela. Eles relatam que o clima na comunidade é tenso. Nesta terça-feira, um intenso tiroteio levou pânico a quem vive no local.

— Estamos largados aqui. Vou a ser o que era: uma favela completamente dominada pelos bandidos — disse outro morador.

Policiais militares da UPP Alemão entraram em confronto com os bandidos. Um suspeito foi ferido e levado para o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, na Zona Norte. Com eles, segundo os PMs, foi encontrada uma pistola.
Guerra na Rocinha

Rogério 157 é o pivô de uma guerra que tomou conta da Rocinha no último dia 17. Na madrugada daquele dia, um bando de cerca de 60 homens invadiu a comunidade a mando de Antônio Francisco Bonfm Lopes, o Nem da Rocinha. O objetivo de Nem — que está preso — era tomar o controle do tráfico da favela de Rogério, seu ex-aliado.

Na última sexta-feira, data da entrada das Forças Armadas na Rocinha, parentes de Rogério 157 chegaram a procurar a Polícia Federal para negociar a rendição do traficante. A partir de sábado — quando ele se aliou ao Comando Vermelho (CV) —, a família do criminoso não fez mais contato e a negociação foi interrompida.

O delegado Carlos Eduardo Thomé, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF, também monitora as informações sobre a aliança de Rogério com o CV. Para ele, mesmo que haja o acordo, o futuro do criminoso ainda é incerto.
Seis mortos e cinco feridos

A polícia divulgou, nesta segunda-feira, um relatório sobre a operação na Rocinha. Segundo o documento, desde sexta-feira, quando houve um intenso tiroteio na favela, seis pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas. Entre os mortos, de acordo com o relatório, há dois suspeitos baleados em confronto com a polícia e dois corpos encontrados carbonizados e não identificados.

Oito suspeitos foram presos em flagrante e um menor de idade, apreendido. Além disso, sete mandados de prisão expedidos pela Justiça foram cumpridos. Há outros 22 mandados ainda por cumprir.

Durante a operação, também foram apreendidos 14 fuzis, seis pistolas, 25 granadas (sendo 10 caseiras), 209 carregadores, 2847 munições, um simulacro de pistola, oito rádios carregadores, além de drogas, aparelhos celulares, dinheiro em espécie, talões de cheques e 11 veículos.

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