segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Flávio Dino (PCdoB), diz preferir que a esquerda enfrente o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ao prefeito paulistano, João Doria (PSDB), na disputa presidencial em 2018.

Doria é 'Collor piorado', afirma Dino

Por Cristiane Agostine | De São Luís

Em sintonia com a ex-presidente Dilma Rousseff, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), diz preferir que a esquerda enfrente o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ao prefeito paulistano, João Doria (PSDB), na disputa presidencial em 2018. Para o governador, Doria é um "Collor piorado, autoritário, sem experiência administrativa" e tem sido desleal com Alckmin, "seu criador".

Liderança nacional do PCdoB, Dino afirma que só a candidatura de Alckmin pelo campo de centro-direita poderia trazer "traços civilizatórios" para superar a crise política do país. O governador faz a ressalva de que para "erguer o sistema político acima do volume morto" é preciso que a Justiça garanta a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018 à Presidência.

Ao analisar o cenário eleitoral para 2018, Dino concentra-se nos possíveis rivais dos candidatos de centro-esquerda e diz que há uma diferença "gigantesca" entre Alckmin, Doria e o deputado federal Jair Bolsonaro (RJ), todos pré-candidatos à Presidência. "O Brasil ser governado pelo Alckmin é algo razoável. Governado pelo Doria, é um absurdo e pelo Bolsonaro, é um desastre, uma tragédia", afirma ao Valor. "Alckmin tem experiência, foi governador quatro vezes, é um quadro político experimentado, tem as condições dele e um conjunto de forças. Quem é o Doria? É um Collor piorado, fake, autoritário e sem nenhuma experiência administrativa. E o Bolsonaro é uma tragédia, com ideário violento, de exclusão das pessoas, fascista, defensor do aniquilamento das diferenças sociais. Não tem nenhuma condição de dirigir o país".

Na avaliação do governador, o sistema político brasileiro está "rebaixado" desde o impeachment da ex-presidente Dilma, no ano passado. "Para erguê-lo de novo, acima do volume morto, é importante que Alckmin e Lula sejam candidatos. São traços civilizatórios no meio de um desastre completo", diz. "Isso [as duas candidaturas] permitirá que o Brasil faça uma reflexão com qualidade", afirma. Em seguida, Dino critica Doria por articular sua eventual pré-candidatura, apesar de Alckmin, seu padrinho político, também ser pré-candidato, em atitude vista como "traição" por aliados do governador paulista. "É um oportunista."

As declarações de Dino são semelhantes às de Dilma, que em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo" também defendeu a candidatura de Alckmin à de Doria ou Bolsonaro. Para a ex-presidente, Doria não tem "consistência" nem "nenhum compromisso com o país" e Bolsonaro é de "extrema-direita".

Na semana passada, Dino ciceroneou por dois dias seguidos o ex-presidente Lula em São Luís, na reta final da caravana feita pelo petista para divulgar sua pré-candidatura presidencial. Mesmo com a condenação de Lula em primeira instância e as novas denúncias contra o ex-presidente, como a delação feita pelo ex-ministro Antonio Palocci, o governador e dirigente do PCdoB diz que é um "desserviço" a esquerda começar a construir um "plano B", no caso de o petista não poder ser candidato em 2018. "A candidatura de Lula é importante para a unidade do campo de esquerda. E falar em plano B agora acaba com a estratégia de defesa do ex-presidente". Líder nas pesquisas de intenção de voto, Lula tem dito que as acusações que recaem contra ele são para tentar inviabilizar sua candidatura em 2018.

Dino, no entanto, não deixa de falar no "plano B" e diz que o ex-presidente tem uma "reserva estratégica de popularidade", que poderá ser aproveitada nas urnas pelo petista ou por um eventual candidato que ele apoiar. Segundo o governador, se Lula não for candidato, o PCdoB e lideranças de esquerda não vão, "necessariamente", apoiar um nome petista. O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) está longe de ser consenso.

"Quando esse debate se colocar, se de fato se colocar, há um elemento que é essencial: não necessariamente o candidato tem que ser do PT", afirma Dino. "Esse ponto de partida tem que ser posto. Se não tiver mais jeito, se o tribunal confirmar que Lula não poderá ser candidato, é errado dizer que o PT tem que necessariamente ter candidato. Pode não ter". Entre as opções da centro-esquerda, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) é "boa alternativa", diz.

Recentemente, Ciro esteve no Maranhão para promover sua pré-candidatura e também foi recepcionado pelo governador. "Ciro é liderança fundamental", afirma.

Juiz e professor universitário de Direito, Dino critica a atuação do juiz Sergio Moro nas investigações da Operação Lava-Jato contra Lula e ataca a condenação do ex-presidente a nove anos e meio, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Para o governador, a sentença de Moro é "tecnicamente muito frágil e ruim" e mostra o "envolvimento passional" do juiz nas acusações contra Lula. Dino afirma que se os magistrados do TRF-4, que analisarão o caso em segunda instância, confirmarem a condenação do ex-presidente, colocarão em xeque suas biografias ao inviabilizarem a candidatura de Lula em 2018. "E se um dia essa sentença chegar ao Superior Tribunal de Justiça ou Supremo Tribunal Federal, não fica de pé, não será confirmada. Afirmo e aposto 100%".

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