quarta-feira, 7 de junho de 2017

Por que pessoas que testemunham uma tragédia nem sempre ajudam?

Conheça a síndrome que "impede" testemunhas de intervir em um crime, cujo nome foi inspirado num caso real ocorrido em Nova York nos anos 60
Por Danilo Cezar Cabral

Elas podem estar sofrendo de uma síndrome conhecida na psicologia como Efeito Genovese – atualmente, mais chamada de Efeito Espectador. Ela acomete testemunhas de atos de violência, impedindo-as de intervir.

O nome vem do assassinato de Kitty Genovese, uma garota de 28 anos, em 13 de março de 1964, em Nova York. Durante meia hora, ela foi estuprada e esfaqueada. O criminoso ainda voltou à cena, dez minutos depois, para terminar de matá-la. Segundo os registros, 38 pessoas testemunharam o ataque – e não fizeram nada.

Quatro anos depois, os professores de psicologia John Darley e Bibb Latané analisaram o caso para tentar definir que causas e condições levam o indivíduo a decidir não ajudar o próximo. Em um dos experimentos, em uma sala fechada, um ator fingia passar mal diante da “cobaia”. Quando a cobaia estava sozinha, ela ajudava em 70% das vezes. Mas, se estava num grupo (com outros atores que sabiam do teste), a taxa de socorro caía para 40%. Ou seja, quanto mais pessoas testemunhando o problema passivamente, maior a chance de a passividade continuar.

Em 2007, investigações retomaram o caso de Genovese e concluíram que a apatia não foi tão intensa assim. A quantidade real de testemunhas era, no máximo, metade do que havia sido registrado. A maioria apenas escutou o ataque, sem conseguir definir onde ele estava acontecendo e, por isso, não pôde ajudar. E ao menos uma pessoa chamou, sim, a polícia.

O Efeito Espectador, porém, segue sendo estudado na teoria – e ocorrendo na prática. Estudiosos acreditam até que celulares ampliaram o problema: agora, as pessoas preferem fotografar e filmar, em vez de ajudar.

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