domingo, 19 de fevereiro de 2017

Maranhenses contam como superaram o analfabetismo


Francisco dos Anjos, um dos maranhenses que driblou o analfabetismo com o programa "Sim, eu posso"

Participantes de programa voltado para a alfabetização de adultos narram as novidades vivenciada pelo contato com a leitura e a escrita

As placas nas ruas ganharam outro significado para Manoel dos Santos, morador de Santana do Maranhão, cidade detentora de uma de um dos piores IDHs do Estado e distante 404 km de São Luís. Agora, aquilo que antes representava para Manoel apenas algumas figuras incompreensíveis , é algo que às vezes muito maranhenses passam a vida inteira sem conhecer: o alfabeto.

Morador de um município onde o analfabetismo alcança mais de 47% da população acima dos 25 anos, conforme apontam os números do Atlas do Desenvolvimento Humano, Manoel agora pode dizer que inicia 2017 vendo a vida por outra perspectiva. “ “Sem saber ler a gente não é nada.” desabafa.

O operador de máquinas Francisco dos Anjos, morador de Aldeias Altas, situada há 485 km de São Luís também passa a ter novas perspectivas agora que conseguiu deixar para trás o analfabetismo: “Hoje posso dizer para todos que sei ler e escrever. Fico feliz com isso”, comenta,

Manoel dos Santos e Francisco dos Anjos são algumas das pessoas atendidas pelo programa “Sim, eu posso”, destinado a combater o analfabetismo no Maranhão e desenvolvido por meio de uma parceria entre o governo do Estado e o Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST). “Já consigo ler placas na rua, ler um monte de coisas e melhorou muito para mim”, comemora Manoel.

Ao lado de outros participantes do programa que está na primeira etapa e já alcançou oito municípios beneficiando 7.119 pessoas, Manoel e Francisco estiveram em São Luís para acompanhar o ‘Seminário Estadual da Jornada de Alfabetização do Maranhão: ‘Sim, Eu Posso! – Círculo de Cultura’, realizado no Centro de Convenções da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), no campus do Bacanga. A solenidade de encerramento do seminário teve como momento mais marcante a entrega do certificado de formatura, recebido por alunos que representaram cada um dos oito municípios beneficiados pelo programa defendido pelo governador Flávio Dino(PC do B) como uma iniciativa do poder público focada em tirar milhares de “maranhenses da escuridão do analfabetismo”. Flávio Dino esteve no evento e informou que este ano o “Sim, eu posso” deve atender o dobro de pessoas contempladas com esta ação em 2016.

O ‘Sim, Eu Posso’ une a pedagogia criada pelo educador Paulo Freire com a metodologia modelo do Instituto Pedagógico Latino-Americano e Caribenho de Cuba (Iplac), e consegue promover a alfabetização de uma pessoa no prazo de oito meses..Integraram esta fase do programa alunos dos municípios Aldeias Altas, Água Doce do Maranhão, Governador Newton Bello, Jenipapo dos Vieiras, Itaipava do Grajaú, Santana do Maranhão, São João do Carú e São Raimundo do Doca Bezerra. O ‘Sim, Eu Posso’ terá continuidade em 2017, sendo promovido em mais sete cidades, incluídos na lista dos 30 piores IDHs do Estado. Muitos destes municípios foram criados na década de 1990, sem ter a menor estrutura e acabaram se tornando extensões de redutos eleitoreiros de políticos da região onde estão situados, reproduzindo problemas históricos vivenciados pela população maranhense, dentre eles o analfabetismo,

A contribuição de uma entidade educacional cubana no projeto traz para o “Sim eu posso, “ a experiência bem sucedida deste país no combate ao analfabetismo. Cuba é considerada pela Unesco( Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como a única nação da América Latina e Caribe a atingir as seis metas mundiais para a educação.

As cartas de “Maria”

Para quem nasceu e cresceu, separada do contato com as letras, o simples gesto de escrever uma carta é considerado uma grande conquista. Maria de Melo, moradora de São Raimundo da Doca Bezerra, situada a 415 km de São Luís relembra que após ser informada de que um programa voltado para alfabetizar as pessoas iria beneficiar os moradores cidade decidiu que iria iniciar 2017 com novas perspectivas de vida. Eu botei na cabeça que agora eu ia aprender a ler e escrever e fui” festeja.
Em Itaipava do Grajaú, cidade localizada 547 km de São Luís, os números do Atlas do Desenvolvimento Humano apontam que mais de 45% dos moradores com idade acima de 25 anos são analfabetos. Mas agora, Joana Souza não esta mais entre os habitantes do município que integram estas estatísticas: “Pensava que não era possível. Aprendi escrever, sei soletrar qualquer palavra”, relata.


Joana Souza achava que aprender a ler e escrever era uma tarefa quase “impossível”

Quando comparados com as estatísticas nacionais, os números do Maranhão em relação ao analfabetismo ainda são preocupantes. Mais da metade da população acima dos 60 anos é analfabeta e um dos focos do programa “Sim eu posso” é superar este problema. “Nossa determinação é vencer o analfabetismo pondo fim a um problema que se perpetuou por anos de descaso. Acreditamos que nossa população possa aprender, possa crescer mais. Por isso, o programa vai continuar” comentou o governador Flávio Dino

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