sábado, 7 de janeiro de 2017

Após massacres, Temer discute crise dos presídios na casa de Cármen Lúcia

Os presidentes da República e do STF se reuniram por quase três horas neste sábado; segundo assessores, eles trataram de ações conjuntas para conter o caos nas prisões. Por Fabiano Costa e Luciana Amaral, G1, Brasília

Temer e Cármen Lúcia discutem a crise nos presídios brasileiros. O presidente Michel Temer passou quase três horas na manhã deste sábado (7) na casa da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, tratando reservadamente com a magistrada sobre a crise penitenciária. O encontro não estava previsto na agenda oficial do peemedebista.

Temer deixou o Palácio do Jaburu – residência oficial da Vice-Presidência – por volta das 10h em direção à residência da presidente da Suprema Corte, localizada no Lago Sul, bairro nobre da capital federal.

Ele deixou a casa de Cármen Lúcia pouco depois das 13h e não falou com a imprensa. A ministra do STF, que também não quis falar com os jornalistas, acompanhou o presidente da República até a porta da casa.

Para não chamar a atenção, Temer não usou os tradicionais carros oficiais pretos da Presidência, e sim um carro sem identificação oficial prata. Um veículo preto da equipe de seguranças do Planalto acompanhou o deslocamento do chefe do Executivo.

Cármen Lúcia e Temer devem tratar na conversa de ações conjuntas entre os Poderes Executivo e Judiciário para combater a crise nos presídios (Foto: Beto Barata / Presidência)

De acordo com assessores, Temer e Cármen Lúcia já haviam conversado por telefone nesta sexta-feira (6), após a divulgação da matança na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo – que deixou 31 mortos no maior presídio de Roraima –, para discutir a situação dos presídios.

No início da semana, entre domingo (1º) e segunda (2), 56 presos haviam sido mortos em uma rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus. Outros 4 detentos foram mortos em outra penitenciária da capital amazonense.

No diálogo telefônico desta sexta, informou um interlocutor de Temer, os presidentes da República e do Supremo teriam combinado de se encontrar pessoalmente neste fim de semana para aprofundar a discussão sobre o caos nas prisões.

No encontro, além de tratar da repercussão dos massacres registrados nesta semana em Manaus e Boa Vista, os chefes do Executivo e do Judiciário iriam negociar possíveis ações conjuntas entre os dois Poderes para conter a crise nos presídios e evitar que as rebeliões que ocorreram na Região Norte se espalhem para outras penitenciárias do país, informaram assessores.

Semana trágica

Os primeiros dias do ano de 2017 – que estreou com uma chacina com 60 mortos na capital do Amazonas – já trouxeram desgaste político para ao Palácio do Planalto.

Embora o governo federal tenha tentado terceirizar a responsabilidade das chacinas de Manaus e de Boa Vista aos governos estaduais e à empresa que administra a penitenciária amazonense, a crise penitenciária teve impacto no Palácio do Planalto e, inclusive, já derrubou um integrante do Executivo federal.

Nesta sexta, o secretário nacional de Juventude, Bruno Júlio, pediu demissão após dar uma declaração polêmica sobre as rebeliões nos presídios de Roraima e Manaus. Segundo a assessoria do Planalto, Temer aceitou o pedido de demissão do auxiliar.

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