terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Machismo da Folha de São Paulo nega protagonismo das mulheres na política maranhense‏

Sim, há machismo no jornalismo impresso brasileiro. E há machismo também no Jornal Folha de São Paulo, uma das instituições de imprensa mais respeitadas do país.
Na matéria Dino nomeia parentes de aliados no Maranhão,  publicada no último dia 30, o jornal incorre numa esperteza que induz o leitor a erro  para tornar a matéria vendável , sugerindo nepotismo no governo do Maranhão ao citar que a "namorada" do Secretário de Articulação Política , Márcio Jerry, que ocupa o cargo de chefe de gabinete do governador Flávio Dino.
O jornalista Luís Nassif escreveu um interessante texto explicando o modo vigarista como a Folha de São Paulo sugeriu nepotismo sem no entanto mostrar um único caso de nepotismo no governo Flávio Dino (Leia Aqui).
Além da inexistente modalidade de nepotismo, a Folha de São Paulo demonstra um indisfarçável machismo ao negar o papel de protagonismo das mulheres citadas na matéria, para reduzi-las à condição de "namoradas" de secretários de Estado.
A "namorada" de Márcio Jerry em questão é a professora Joslene Rodrigues, a Lene. Ela milita no PCdoB há quase 17 anos. Começou na vida política atuando na União da Juventude Socialista - UJS,  ainda nos tempos de faculdade. Graduou-se em Química na Universidade Federal do Maranhão e entrou no Serviço Público do Estado por meio de concurso, onde passou a lecionar.
Quem conhece Lene sabe de sua dedicação à frente do PCdoB maranhense. Discreta e ponderada, a professora Lene atuou no front das campanhas de Flávio Dino desde a primeira candidatura dele à deputado federal em 2006.
Mas na reportagem da Folha de São Paulo, Lene virou apenas e tão somente a ocupante do cargo de chefe de gabinete do governador Flávio Dino cuja indicação se deu graças  à sua relação de afeto com um dirigente do partido.
É preciso dizer que a política no Maranhão como um todo é machista e relega as mulheres em geral a segundo plano. Com exceção das que atuam em legendas  de esquerda, caso da professora Lene, a  maioria das mulheres  entrou na carreira pública não por escolha própria ou vocação, mas para preencher os espaços políticos criados por seus maridos, pais e irmãos, que via de regra tratam cargos e mandatos públicos  de maneira patrimonialista. Prática laboriosamente aprimorada pelo grupo Sarney nos últimos 50 anos, diga-se de passagem.
A professora Lene, ao contrário de tantas outras mulheres subjugadas pela força da política tradicional e provinciana, rompeu a lógica do machismo, mas lamentavelmente ela própria virou vítima do tradicionalismo que ajuda a combater. O mesmo ocorre com outras mulheres citadas na matéria do periódico paulista e levadas à cabo de maneira ainda maias discriminatória no Jornal O Estado do Maranhão, cuja edição de hoje (1º)  exibe matéria com o título: "Esposas de Secretários viraram assessoras no segundo escalão".
O machismo nas matérias da Folha de São Paulo e do Estado do Maranhão  se uniu ao machismo da política tradicional para vender jornais e disseminar a odiosa tentativa de condenar o Maranhão à eterna condição de província patrimonialista e negar a essência da própria política, que é a pluralidade de ideias e de protagonistas.  Além de negar espaço às mulheres, o jornalismo a serviço da política tradicional também tenta excluir jovens, negros e outros grupos sociais. Não podemos aceitar.

Sem comentários:

Enviar um comentário