segunda-feira, 24 de junho de 2013

Dilma repete façanha de Collor: a aprovação a seu governo despenca 35 pontos em três meses — 27 pontos em três semanas; hoje, só 30% o consideram bom ou ótimo; índice de ruim-péssimo chega a 25%. Então Dilma já era?



Presidente disse que vai propor a convocação de um plebiscito que autorize uma Constituinte para fazer a reforma.

 Atual7

Com a presença da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e do prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PTC), a reunião convocada pela presidente Dilma Rousseff (PT), para o debate sobre mobilidade urbana e as tarifas do transporte coletivo, nesta segunda-feira (24), foi marcada pela defesa da convocação de um plebiscito que autorize uma Constituinte para fazer a reforma política.
Presidente reuniu 27 governadores e 26 prefeitos de capitais em Brasília. Foto: Celso Junior / AE
No encontro, a presidente apresentou cinco pactos a serem estudados pelos governadores e prefeitos das principais cidades do País. ‘O Brasil está maduro para avançar e já deixou claro que não quer ficar parado onde está’, argumentou a petista.
Dilma Rousseff propôs ainda uma nova legislação que considere a ‘corrupção dolosa [quando há intenção] como crime hediondo’, com penas mais severas. Ela pediu agilização na implantação da Lei de Acesso à Informação.
Abaixo, os cinco pactos anunciados por Dilma Rousseff:
1° – Pacto pela responsabilidade fiscal
Dilma defendeu um pacto de responsabilidade fiscal, com o objetivo de manter a estabilidade da economia e o controle da inflação.
2° – Pacto da reforma política
‘Quero propor o debate sobre a convocação do plebiscito popular para fazer a reforma política que o país tanto necessita’.
3°. Pacto pela saúde
Presidente quer acelerar os investimentos em hospitais, como por exemplo, incentivar a ida de médicos a regiões mais necessitadas. E, quando não houver a quantidade de profissionais necessária, contratar médicos estrangeiros.
‘Trata-se de uma ação emergencial, tendo em vista a necessidade que temos de encontrar médicos para trabalhar nas áreas mais remotas ou nas zonas mais pobres’, disse. Citando exemplos de Inglaterra e Estados Unidos, Dilma lembra que o Brasil é um dos que menos emprega profissionais do Exterior.
4º – Pacto pela qualidade do transporte público
‘Decidi destinar mais R$ 50 bilhões para investimentos em obras de mobilidade urbana’. A presidente anuncia a criação do Conselho Nacional de Transporte Público.
5º – Pacto pela educação
‘Avançamos muito nas últimas décadas. Por isso, temos lutado para que 100% dos royalties do petróleo e 50% dos recursos do pré-sal sejam investidos em educação’.

Dilma repete façanha de Collor: a aprovação a seu governo despenca 35 pontos em três meses — 27 pontos em três semanas; hoje, só 30% o consideram bom ou ótimo; índice de ruim-péssimo chega a 25%. Então Dilma já era?
Manifestações

A manifestação paulistana no início de junho, que pretendia apenas a redução do preço das passagens recém aumentadas pelo prefeito, transformou-se em várias outras pelo Brasil e, inclusive, no exterior. Se o tema era apenas a elevação das tarifas dos transportes coletivos, outros vieram à tona: a melhoria dos serviços públicos de saúde e educação, a questão da segurança, a cobrança da ética no exercício da coisa pública e o basta à impunidade foram alguns dos temas que se seguiram nas faixas, nos cartazes e nas vozes humanas das ruas.

Depois das manifestações pelas eleições presidenciais nos anos 80 - Diretas Já!, quase aprovada no Congresso, e que só vieram a acontecer em 1989, nas quais deixamos de eleger um Brizola, um Covas, um Ulisses, o Brasil jamais voltara a presenciar momento cívico de tamanha repercussão.

Constata-se uma diferença: as atuais manifestações não foram lideradas por organizações representativas tradicionais, a exemplo de entidades estudantis como a UNE, a UBES, os sindicatos, os partidos políticos. Estes, a bem da verdade, até foram hostilizados. Se tudo teve início com o Movimento Passe Livre (MPL), este perdera o controle na medida em que as manifestações foram ganhando vulto. Mas, creio que o resultado - a revogação do aumento, enquanto conquista de todos os paulistanos, faz com que haja um reconhecimento aos seus precursores que atiçaram o civismo brasileiro, além de provocarem o mesmo resultado em muitas outras cidades, com a não decretação de aumento ou a revogação deste no preço das tarifas por suas respectivas autoridades.

Por que as manifestações somente acontecem agora, depois de 12 anos de era Lula-Dilma no poder federal?

Muitas são as respostas (ou perguntas?) a perambular pelas nossas cabeças:

1. Teria tudo isto a ver com a frustração do povo brasileiro com esse modelo econômico e político que já não encontra razões de existir plenamente?
2. O discurso e a propaganda repetitiva do crescimento econômico baseados na exportação de matérias-primas, de pouca agregação de valor, além do estímulo a um consumo interno desenfreado, e que criaram uma percepção de mudança social com a nova classificação das “classes médias”, perderam eficácia no (in)consciente coletivo?
3. Ou que tudo isto se deve à piora significativa dos serviços públicos de saúde, educação, transporte e segurança?
4. Ou com a deterioração das nossas instituições, a impunidade, a manutenção de privilégios por parte dos mandatários legislativos, dos mandatários executivos, do setor judiciário, a exemplo de décimos quarto e quinto salários?
5. Ou com o diferente tratamento com a nossa natureza, com os nossos índios, com os nossos sertanejos, com os que trabalham para garantir o sustento dos seus em relação aos poderosos e oligarcas políticos e financeiros?

Não sabemos no que tudo isto irá resultar. Mas, para começo, além da revogação ou o não aumento das tarifas Brasil afora, o Congresso não aprovou a PEC 37 e tirou da gaveta outro projeto que termina com a votação secreta para algumas situações. Além da presidente embaralhar-se na questão da Constituinte, Plebiscito ou Referendo.

Mas, hoje é o grande dia da decisão final da Copa das Confederações. Brasil e Espanha serão os protagonistas. Ou, quem sabe, os torcedores? Todos estamos atentos ao que acontecerá no Maracanã.

Lembro do maior compositor brasileiro, Heitor Villa-Lobos, que costumava dizer que o Brasil não é vertical nem horizontal, é diagonal.

E de outro grande compositor, Tom Jobim, dizia que o Brasil não é para principiantes e, sendo um deles, deixo as conclusões para o gênio de nossa raça: o povo!

Igor Lago
Ribeirão Preto, 30/06/2013.

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