sexta-feira, 3 de maio de 2013

Vereadores de cidades brasileiras compram e copiam projetos de lei


Um pacote de dez projetos custa R$250. O estado campeão de vendas é São Paulo.

Fabiano OliveiraUmuarama, PR
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Tem ex-político vendendo projetos de lei para políticos que estão no poder. Projetos de lei aprovados de várias cidades podem ter sido copiados na íntegra ou até mesmo comprados - pela internet. Segundo o dono da empresa, o projeto não é ilegal.
Uma página na internet , montada por um ex-vereador, tem mais de mil  projetos de lei. Eles tratam de saúde, educação segurança e até da criação do dia do torcedor corintiano. Tudo em promoção. Um pacote de dez projetos, por exemplo, custa R$250.
“Eu ja fiz um preço acessível porque no Brasil são mais de cinco mil cidades e mais de 50 mil vereadores”, conta o dono do site, José Gilberto de Souza.
Se o vereador adquirir 100 ideias paga R$1.500, R$15 por projeto. Gilberto não revela o nome dos clientes, mas diz que fornece pacotes para todos os estados e que o campeão de vendas é São Paulo. 
"A demanda é maior no primeiro ano de mandato e no ano eleitoral", conta. Gilberto garante que o negócio não é ilegal. Mas faz uma ressalva. “ Ele não pode comprar projeto com dinheiro público”. 
Em Umuarama, no noroeste do Paraná, até onde se sabe, vereador nenhum compra projeto, mas tem quem que copie projetos aprovados em outras cidades. A prática ficou tão comum, que alguns são copiados de forma idêntica ao original.
Para a próxima sessão da Câmara, está prevista a votação do projeto que proíbe o uso de  capacetes em estabelecimentos comerciais. O texto é igual ao que foi aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo, em março deste ano.
“Não podemos deixar de apreciar alguns projetos interessantes”, afirma o presidente da Câmara de Umuarama do Paraná, Marcelo Nelly.
Pelo menos sete projetos apresentados ou aprovados nos últimos anos são cópias idênticas de projetos apresentados em outras cidades.
Para o cientista político Rafael Egídio Leal e Silva está errado o vereador que compra ou a cópia um projeto. "Ele deve estar atento aos problemas da população, aos anseios da população e elaborar projetos que tenham relação com esses anseios e não apenas comprar ou sair copiando projetos de outras localidades. Cabe agora à população julgar e ver qual o veredito que ela vai dar nas urnas”, finaliza.

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