*Meu artigo publicado na versão impressa do Jornal Pequeno 
Edmar Cutrim: patriarca de uma família cada vez mais poderosa
Edmar Cutrim: patriarca de uma família cada vez mais poderosa
Com a decadência do grupo Sarney e a decrepitude da família Lobão, há quem imagine que a era de famílias no poder maranhense está chegando ao fim.
É claro que em se tratando da política, é natural que familiares  exerçam mandatos eletivos ao mesmo tempo. Como em qualquer outra carreira, filhos sempre se identificam com as atividades dos pais e outros parentes. Aqui, porém, refiro-me não ao poder político como exercício vocacional, mas ao uso patrimonialista da política para a obtenção de privilégios pessoais para pequenos grupos.
A patrimonialismo no Maranhão não foi inventado pelo coronelismo eletrônico de Sarneys e Lobões, nem pelo coronelismo tradicional de seus antecessores, Benedito Leite e Vitorino Freire. Trata-se de uma lógica tornada realidade quase perene no Maranhão desde o início do Império no Brasil, há duzentos anos. De lá para cá, a única vez em que o patrimonialismo foi seriamente questionado, se deu em 1838, quando da eclosão da Balaiada. Há 178 anos, portanto.
O caso da família Cutrim parece emblemático. Integrantes do Clã controlam hoje a presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE), instituição aparentemente desimportante e da qual pouco se fala, mas instrumento fundamental de pressão política, já que ela julga as contas dos gestores públicos do Estado.
O poder da família se espraia para a presidência do TRE-MA, responsável pela realização das eleições; pela FAMEM, Federação de prefeitos do Estado, que organiza politicamente os interesses dos gestores estaduais;  pela Secretaria Estadual de Cidades,  outro instrumento importante para o controle dos municípios, já que é a responsável por contratos milionários de convênios entre o Estado e o município. Como se não bastasse isso, dois membros da família Cutrim disputam cargos eletivos nas eleições deste ano: um à deputado estadual e outro à deputado federal.
Fica claro que este desenho de poder arquitetado pela família Cutrim visa ao controle dos aparatos que submetem os mecanismos do exercício de do poder ao controle de poucos indivíduos unidos por laços familiares e de compadrio, algo extremamente danoso à democracia, como se tem visto ao longo dos últimos anos de controle oligárquico no Maranhão.
A reprodução oligárquica da política, que parece estar renascendo com novos nomes, infelizmente é um traço que se reproduz na mentalidade de milhões de maranhenses, não apenas de políticos e pessoas privilegiadas. Conheço casos de pessoas que se apropriam até de uma sala em determinada instituição pública. Quantas centenas de diretores de escola se apropriam dos cargos por décadas, como se deles fossem proprietárias? Quantos servidores públicos privatizam para si, equipamentos que deveriam estar a serviço de todos?
A vida cotidiana maranhense e a história parecem caminhar para nos mostrar que que o patrimonialismo no Maranhão é algo perene.